quarta-feira, 29 de maio de 2013

política, minha vergonha alheia

Perdi um pai em função da política e da ditadura.
Há quem me cobre do porquê não me envolvo mais no meio político.
Eu ainda não sei se não faço isso pela minha tristeza, pela minha ira ou pelo mal que poderia causar a mim mesma lidando com esse tipo sórdido da espécie humana.
Meu pai lutou muito para termos um país mais digno, mais humano, com pessoas no poder que governassem em prol da sociedade.
Socialista, revolucionário, baderneiro, louco... Chamem como quiserem... Mas ele foi um dos muitos que se engajaram na luta por um Brasil mais digno.
Ele, carioca, adotou Porto Alegre e, infelizmente, foi aqui que ele foi preso. Foi aqui que começou sua saga de prisões e torturas. E quis o destino que ele se casasse com minha mãe, uma Porto Alegrense e que eu nascesse aqui...
E com o meu pesar e meu sofrimento tenho certeza que onde quer que a sua alma esteja, nela sangra, nela dói, nela só há decepção. E eu, como uma boa filha, tenho em minha alma a dor de viver numa cidade como essa. Aonde o crescimento vem em cima dos menos favorecidos, a dita “urbanização e evolução” só acontecem através de destruição, roubo e invasão.
Os governantes não têm limite, eles não têm freio e nem criatividade para crescer; pelo menos em Porto Alegre só vejo, sinto e percebo um crescer com destruição. Sem comunicação com a sociedade, sem participação de pessoas das comunidades.
Violência, mentira, crescimento desenfreado, falta de higienização, falta de criatividade, interesses próprios... Enfim, poderia ficar aqui listando mil itens negativos e de certa forma críticos.
Nesse último episódio, por exemplo, por que não transplantar as árvores centenárias, por que antes de sair cortando desenfreadamente na calada da noite não é feito um ato público de reflorestamento, com a ajuda da sociedade, com doação de mudas pelo governo?
Tão mais simples, tão mais humano, tão mais político de forma literal...
E depois me falam de decepção não mata e sim, ensinar a viver... Outra mentira!
A alma do meu pai dói, meu coração sangra e com certeza estamos perdendo o posto de capital mais arborizado do país.
Política, minha vergonha alheia...