Perdi um pai em função da política e da ditadura.
Há quem me cobre do porquê não me envolvo mais no
meio político.
Eu ainda não sei se não faço isso pela minha
tristeza, pela minha ira ou pelo mal que poderia causar a mim mesma lidando com
esse tipo sórdido da espécie humana.
Meu pai lutou muito para termos um país mais digno,
mais humano, com pessoas no poder que governassem em prol da sociedade.
Socialista, revolucionário, baderneiro, louco... Chamem
como quiserem... Mas ele foi um dos muitos que se engajaram na luta por um
Brasil mais digno.
Ele, carioca, adotou Porto Alegre e, infelizmente,
foi aqui que ele foi preso. Foi aqui que começou sua saga de prisões e
torturas. E quis o destino que ele se casasse com minha mãe, uma Porto
Alegrense e que eu nascesse aqui...
E com o meu pesar e meu sofrimento tenho
certeza que onde quer que a sua alma esteja, nela sangra, nela dói, nela só há decepção. E eu, como uma boa filha, tenho em minha alma a dor de viver numa cidade
como essa. Aonde o crescimento vem em cima dos menos favorecidos, a dita “urbanização
e evolução” só acontecem através de destruição, roubo e invasão.
Os governantes não têm limite, eles não têm freio e
nem criatividade para crescer; pelo menos em Porto Alegre só vejo, sinto e
percebo um crescer com destruição. Sem comunicação com a sociedade, sem
participação de pessoas das comunidades.
Violência, mentira, crescimento desenfreado, falta
de higienização, falta de criatividade, interesses próprios... Enfim, poderia
ficar aqui listando mil itens negativos e de certa forma críticos.
Nesse último episódio, por exemplo, por que não transplantar
as árvores centenárias, por que antes de sair cortando desenfreadamente na
calada da noite não é feito um ato público de reflorestamento, com a ajuda da
sociedade, com doação de mudas pelo governo?
Tão mais simples, tão mais humano, tão mais político
de forma literal...
E depois me falam de decepção não mata e sim,
ensinar a viver... Outra mentira!
A alma do meu pai dói, meu coração sangra e com certeza estamos perdendo o posto de capital mais arborizado do país.
Política, minha vergonha alheia...